[Terça da Poesia] Por quê?

Olá pessoas!

Hoje trouxe para vocês o poema de um seguidor aqui do blog. Espero que gostem!

AVISO: ESTE POEMA PODE CONTER GATILHOS ENTÃO, CASO POSSUA DEPRESSÃO, NÃO LEIA. PRESERVE SUA SAÚDE E SUA VIDA!

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Poema Anônimo

Bom “serumaninhos”, hoje resolvi trazer um poema para vocês. Tudo começou quando eu estava pesquisando sobre SUICÍDIOS, e me deparei com esse poema anônimo mas que me chamou muita atenção. Espero que conquiste vocês, assim como me conquistou 

 

Quando é séria, ouço-a falar-me de assuntos sérios. Às vezes, sussurra-me. Às vezes, grita-me. Essa voz não é a minha voz. Não é a voz que, em filmagens de festas de anos e de natais, vejo sair da minha boca, do movimento dos meus lábios, a voz que estranho por, num rosto parecido com o meu, não me parecer minha. A voz que ouço quando leio existe dentro de mim, mas não é minha. Não é a voz dos meus pensamentos. A voz que ouço quando leio existe dentro de mim, mas é exterior a mim. É diferente de mim. Ainda assim, não acredito que alguém possa ter uma voz que lê igual à minha, por isso é minha mas não é minha. Mas, claro, não posso ter a certeza absoluta. Não só porque uma voz é indescritível, mas também porque nunca ninguém me tentou descrever a voz que ouve quando lê e porque eu nunca falei com ninguém da voz que ouço quando leio.

Perante um jornal, a voz lê-me pedaços de notícias. Começa a ler e desinteressa-se. Rasga pedaços de textos ou de títulos que me lê sem organização. Quando caminho pela rua, a voz diz-me frases pintadas nas paredes, diz-me palavras que brilham em letreiros iluminados. Caminho e a voz vai falando comigo. Não lhe respondo porque não sei como falar com ela. É uma voz de falar. Penso que é uma voz que não ouve. Abro romances e a voz é paciente a explicar-me paisagens que nunca vi, árvores, estradas, horizontes. Quando me fala de pessoas e coisas verdadeiras, volto atrás. Ao repetir-me um texto, a voz detém-se mais em cada palavra. Pronuncia cada sílaba. Pára em frases e repete-as porque quer que eu as entenda completamente. Eu, que não sei se entendo, ouço-a, admirado com as palavras. Não foram poucas as vezes que a voz que ouço quando leio me fascinou com palavras que disse. Muitas vezes, as suas pausas acenderam imagens no meu interior, nos lugares escuros que transporto dentro de mim e que não conheço. Muitas vezes essa voz iluminou lugares dentro de mim: túneis que não conhecia. Muitas vezes, vejo essa voz avançar por eles com uma tocha. Eu sei que a voz que ouço quando leio não tem medo. Eu sei que essa voz me conhece melhor do que eu me conheço a mim próprio. Diante de poemas, a voz caminha por dentro das palavras. Dentro de cada palavra: túneis de palavras reflectidas em espelhos à frente de espelhos. Avança por esses túneis de palavras multiplicadas como se desenhasse mapas dentro de cada palavra. Ao fazê-lo, avança por túneis dentro de mim e ajuda-me a desenhar um mapa de mim. Eu ouço-a. Fico a ouvi-la durante horas e tento não esquecer nada porque quero aprender a perder-me menos vezes de mim próprio. (…)

Essa voz que ouço quando leio é parecida com a voz que ouves agora ao ler estas palavras. Ou talvez agora estejas a ouvir a voz do teu pensamento. Talvez agora estas palavras não sejam importantes porque o teu olhar desce pela página, faz o movimento de rectas, e voltas no fim das linhas. Mas o teu olhar não lê e talvez neste momento não estejas a ouvir a voz que, dentro de ti, te lê estas palavras em silêncio. Por isso, estas palavras não são importantes. Agora, ouves a voz do teu pensamento e estas palavras são nulas, como se não existissem, são palavras que estão aqui impressas, que vão ficar aqui impressas durante muito tempo, mas que não existem porque não as lês. Passas os olhos por elas, mas ouves a voz do teu pensamento. Não lês. Não ouves a voz que poderia estar agora a ler para ti. Eu poderia continuar a falar-te de tantas coisas inúteis, jardins, equações. Eu poderia descrever-te o silêncio com palavras, mas não valeria a pena porque tu olhas para estas palavras, mas não as lês. Enquanto pensas, estas palavras são o silêncio. Eu não sei aquilo em que pensas. Eu não posso saber aquilo em que pensas. Para falar contigo, eu preciso da voz que ouves quando lês. Se queres ouvir aquilo que acabei agora de te dizer, tens de voltar atrás.

Talvez já tenhas percebido que eu não sou eu. Eu sou a própria voz que ouves quando lês. Hoje, pela primeira vez, quero falar…

(Anônimo)

 

 

 

 

 

[Resenha] Phalavraria | Adriana Campos Marinho

Olá pessoas!

Recebi, em parceria com a autora Adriana Campos Marinho, uma coletânea de poesias e hoje vou falar um pouquinho dele para vocês. Bem, me perdoem se a resenha não ficar tão boa, mas é porque eu nunca resenhei um livro de poesias antes.



parte Adriana Campos Marinho.jpgTítulo: Phalavraria

Autor(a): Adriana Campos Marinho

Páginas: 64

Classificação: design-sem-nome-1-e1501173919256.png

 



Bem, esse livro reúne mais de vinte poesias que tratam de diversos assuntos, como amor, amizade, solidão, tristeza, vida, desigualdade social, etc.

A escrita da autora é fluida e envolvente, sem nem mesmo perceber já estava lendo  a última poesia e fiquei com um gostinho de quero mais, olha que eu raramente leio poesias. Continuar lendo

Uma Vida Com Você

Uma Vida Com Você

Eu adoro você
Não vivo sem você
Eu nego, mas não passa de 
Mera brincadeira
Não vivo sem você

Até vivo, mas
Seria uma vida injusta
Sem teu jeito
Sem teu olhar verde cerrado
Sem teu sorriso
Sem teu abraço,  sem teu calor
Sem tua pele
Sem tua aura
Sem teu ser e companhia

Sem nós e esse laço de conectividade
De intimidade 
Empático
Chamado amor

-Thaynara Hauck

[Terça da Poesia] Tabacaria

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens, Continuar lendo

[Terça da Poesia] Annabel Lee

Annabel Lee

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor —
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar. Continuar lendo