[Semana Temática] O Novelo do Verbo

Oi, oi pessoas!

Para fechar a semana com chave de ouro trouxe dois poemas do livro O Novelo do Verbo para vocês. Espero que gostem!!!



amor perdido

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[Semana Temática] O Novelo do Verbo

Oi, oi pessoas! Como estão?!

Saiu uma matéria sobre o livro do autor Guerra no Diário da Região, bora conferir?!


Experiências pessoais e reflexões sobre o cotidiano foram as inspirações para o livro de poesias O Novelo do Verbo, que o jovem escritor Diego Guerra, de apenas 21 anos, lança nesta sexta-feira, 22, a partir das 20h, no Cafezine. A intenção da obra é levar o leitor a um passeio em que ele sentirá o desejo de desenrolar temas e questionamentos diários através da figura do eu lírico. “O título do livro nasceu porque ele propõe, até de forma estética, uma caminhada, um desenrolar desse novelo, desse barbante, por alguns temas principais na minha poesia. É como se ele fosse se desenrolar pelo eu poético, pela questão do amor, algo muito presente na poesia, mas também pela questão da natureza, da crítica à sociedade, e outros temas do dia a dia”, explica o autor.

O uso do eu lírico permite que Diego transite até entre assuntos que não fazem parte de sua experiência pessoal. Elas estão ali, sempre, como inspiração, mas o personagem pode ser inserido nos mais diversos lugares da sociedade. “Tudo que coloco ali pode ser algo que já vivi ou que tenho uma reflexão sobre. Fazer essa voz que não é minha, mas que foi criada por mim, vem de eu me colocar no lugar do próximo. Então, temas que visitei que foram de inspiração nasceram a partir da minha capacidade de refletir sobre o mundo, de me colocar no lugar do próximo, ver a partir de sua visão”, revela.

A intenção, segundo ele, não foi fazer algo alheio e desconexo com a realidade, mas refletir, pela visão da literatura, temáticas, polêmicas, questões tratadas diariamente pela não literatura. E devido à variedade temática, Diego optou por dividir o livro por capítulos, dando um caminho para o leitor, ao mesmo tempo em que usou estéticas diferentes, indo da poesia concreta à poesia em prosa e outros experimentos que o livro permitia. “Separei tudo de forma didática também, para que o leitor possa se enxergar nesse barbante e desvendá-lo.”

Construção

Com mais de 100 poemas, O Novelo do Verbo, impresso pela Editora Fragmentos, nasceu de um projeto totalmente diferente. O destino da produção de Diego era outro, a internet, especialmente sua página no Facebook (www.facebook.com/guerra.dg). É que suas criações eram um experimento utilizando as mídias sociais. “Essa experiência foi de começar a produzir poesias a poemas e inseri-los nas mídias sociais para ver como os leitores reagiriam. Fiz isso entre 2015 e 2016, mais ou menos um ano, e a resposta foi muito positiva”, conta.

Ao mesmo tempo, Diego também fez um experimento com o WhatsApp. Ele entrou em contato com grupos de literatura de todo o Brasil e perguntou quem tinha o interesse de receber seus textos. “Tinha gente do Acre ao Rio Grande do Sul, um grupo de aproximadamente 1 mil pessoas para os quais mandava os poemas. E foi muito bacana o retorno, tanto que peguei alguns dos comentário e coloquei na orelha do livro”, afirma.

Com a aprovação nas redes sociais, o autor começou a refletir sobre a possibilidade de montar um livro. Para isso, pegou os poemas publicados nas redes e escreveu mais uma série de poemas inéditos dedicados apenas à obra, que acabaram compondo grande parte do projeto. Para ele, que escreve desde a adolescência, a partir de uns 13 anos, as mídias sociais oferecem um engajamento muito forte, especialmente com a literatura.

“Para novos autores, as mídias sociais são uma excelente forma de engajamento social. Ajudam a ter contato com o mundo editoria, a ter feedback sobre o seu trabalho, a estar junto, mesmo que virtualmente, com outros escritores. É muito importante”, pondera. Mas, acima de qualquer coisa, as respostas do público que acompanha seu trabalho são fundamentais para ensinar o escritor a ouvir o outro, garante Diego.

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[Semana Temática] O Novelo do Verbo

Oi, oi pessoas! Como estão?!

Para hoje separei um poema do livro O Novelo do Verbo p’ra vocês. Espero que gostem!  Continuar lendo

[Semana Temática] O Novelo do Verbo

Oi, oi pessoas! Como estão?!

Durante essa semana ( de segunda à sexta-feira ) irei postar trechos, curiosidades, opiniões, etc do livro O Novelo do Verbo, do autor Guerra, parceiro aqui do blog. Espero que gostem!


WhatsApp Image 2017-09-26 at 13.19.53 (1)Sinopse:  “A obra poética O novelo do verbo é o resultado de uma escrita cotidiana, do
viver poetar, dia após dia. Neste livro, Guerra recolhe seus primeiros poemas e
apresenta-nos de modo muito agradável um novelo, conflituoso, emaranhado, não de
fios, mas de palavras, versos e estrofes, que ganham vida quando são acompanhadas por
você, leitor. Continuar lendo

Poema Anônimo

Bom “serumaninhos”, hoje resolvi trazer um poema para vocês. Tudo começou quando eu estava pesquisando sobre SUICÍDIOS, e me deparei com esse poema anônimo mas que me chamou muita atenção. Espero que conquiste vocês, assim como me conquistou 

 

Quando é séria, ouço-a falar-me de assuntos sérios. Às vezes, sussurra-me. Às vezes, grita-me. Essa voz não é a minha voz. Não é a voz que, em filmagens de festas de anos e de natais, vejo sair da minha boca, do movimento dos meus lábios, a voz que estranho por, num rosto parecido com o meu, não me parecer minha. A voz que ouço quando leio existe dentro de mim, mas não é minha. Não é a voz dos meus pensamentos. A voz que ouço quando leio existe dentro de mim, mas é exterior a mim. É diferente de mim. Ainda assim, não acredito que alguém possa ter uma voz que lê igual à minha, por isso é minha mas não é minha. Mas, claro, não posso ter a certeza absoluta. Não só porque uma voz é indescritível, mas também porque nunca ninguém me tentou descrever a voz que ouve quando lê e porque eu nunca falei com ninguém da voz que ouço quando leio.

Perante um jornal, a voz lê-me pedaços de notícias. Começa a ler e desinteressa-se. Rasga pedaços de textos ou de títulos que me lê sem organização. Quando caminho pela rua, a voz diz-me frases pintadas nas paredes, diz-me palavras que brilham em letreiros iluminados. Caminho e a voz vai falando comigo. Não lhe respondo porque não sei como falar com ela. É uma voz de falar. Penso que é uma voz que não ouve. Abro romances e a voz é paciente a explicar-me paisagens que nunca vi, árvores, estradas, horizontes. Quando me fala de pessoas e coisas verdadeiras, volto atrás. Ao repetir-me um texto, a voz detém-se mais em cada palavra. Pronuncia cada sílaba. Pára em frases e repete-as porque quer que eu as entenda completamente. Eu, que não sei se entendo, ouço-a, admirado com as palavras. Não foram poucas as vezes que a voz que ouço quando leio me fascinou com palavras que disse. Muitas vezes, as suas pausas acenderam imagens no meu interior, nos lugares escuros que transporto dentro de mim e que não conheço. Muitas vezes essa voz iluminou lugares dentro de mim: túneis que não conhecia. Muitas vezes, vejo essa voz avançar por eles com uma tocha. Eu sei que a voz que ouço quando leio não tem medo. Eu sei que essa voz me conhece melhor do que eu me conheço a mim próprio. Diante de poemas, a voz caminha por dentro das palavras. Dentro de cada palavra: túneis de palavras reflectidas em espelhos à frente de espelhos. Avança por esses túneis de palavras multiplicadas como se desenhasse mapas dentro de cada palavra. Ao fazê-lo, avança por túneis dentro de mim e ajuda-me a desenhar um mapa de mim. Eu ouço-a. Fico a ouvi-la durante horas e tento não esquecer nada porque quero aprender a perder-me menos vezes de mim próprio. (…)

Essa voz que ouço quando leio é parecida com a voz que ouves agora ao ler estas palavras. Ou talvez agora estejas a ouvir a voz do teu pensamento. Talvez agora estas palavras não sejam importantes porque o teu olhar desce pela página, faz o movimento de rectas, e voltas no fim das linhas. Mas o teu olhar não lê e talvez neste momento não estejas a ouvir a voz que, dentro de ti, te lê estas palavras em silêncio. Por isso, estas palavras não são importantes. Agora, ouves a voz do teu pensamento e estas palavras são nulas, como se não existissem, são palavras que estão aqui impressas, que vão ficar aqui impressas durante muito tempo, mas que não existem porque não as lês. Passas os olhos por elas, mas ouves a voz do teu pensamento. Não lês. Não ouves a voz que poderia estar agora a ler para ti. Eu poderia continuar a falar-te de tantas coisas inúteis, jardins, equações. Eu poderia descrever-te o silêncio com palavras, mas não valeria a pena porque tu olhas para estas palavras, mas não as lês. Enquanto pensas, estas palavras são o silêncio. Eu não sei aquilo em que pensas. Eu não posso saber aquilo em que pensas. Para falar contigo, eu preciso da voz que ouves quando lês. Se queres ouvir aquilo que acabei agora de te dizer, tens de voltar atrás.

Talvez já tenhas percebido que eu não sou eu. Eu sou a própria voz que ouves quando lês. Hoje, pela primeira vez, quero falar…

(Anônimo)